Segundo especialista, criação de um selo de certificação para sites pode dar mais segurança a pacientes e profissionais de saúde.

Fonte: Clicknews

Agência Notisa – “O médico do futuro precisa indicar não apenas remédios ou diagnósticos, mas também páginas da Internet a serem consultadas”. Reproduzindo esta frase, de autoria do historiador da Fundação Oswaldo Cruz André Pereira, o segundo vice-presidente da Federação Nacional dos Médicos (FENAM) Eduardo Santana resumiu o norteador de sua palestra intitulada “A certificação de sites médicos na Internet – a importância da criação de um selo para que a mídia reconheça as informações qualificadas”. O evento, que ocorreu ontem (28), fez parte das atividades do primeiro dia do 6º Seminário Nacional Médico/Mídia, promovido pela FENAM. O seminário, que acontece no Rio de Janeiro.

Eduardo Santana abriu sua exposição explicando que a certificação de sites – ou seja, a criação de um selo que garanta ao usuário a confiabilidade das informações nele contidas – não deve ter como alvo apenas profissionais de mídia (jornalistas). Na visão do médico, uma vez que a informação está disponível na Internet, formando uma “nuvem”, ela “pertence a todos”. Assim, a criação de um selo que diga quais informações são confiáveis deve visar à orientação de toda a sociedade, sejam médicos, jornalistas ou o usuário comum.

A necessidade desta certificação é de suma importância, explicou Santana, devido à realidade de hoje a Internet se configurar como a maior biblioteca do planeta. Neste imenso acervo, sites dedicados à medicina não faltam, o que deu origem, disse, ao “doutor Google”, consultado “antes e depois da consulta (com o médico)”. Além disso, os serviços do “Dr. Google” não são procurados apenas por leigos. Segundo Eduardo Santana, uma pesquisa inglesa recente mostrou que a maioria dos médicos e acadêmicos em medicina do país buscava informações e tirava suas dúvidas recorrendo ao Google e à Wikipedia.

Diante dessa realidade, é preciso separar sites sérios e confiáveis daqueles que possam conter informações equivocadas. Para Eduardo Santana, a validação de um “selo de qualidade” só será possível depois de percorrida três etapas: (1) identificação da origem das informações (catalogar os médicos que postam informações na Internet); (2) criação de uma Rede de Médicos (espaço destinado à construção, distribuição e troca de conteúdo entre a comunidade médica, uma espécie de “Orkut dos médicos”); e (3) identificação da qualidade dos conteúdos. Esta última etapa, para Santana, é a mais complicada, devido ao imenso volume de conteúdo disponível na Internet, que demanda um enorme esforço para ser analisado e validado. Ainda assim, o profissional acredita que é um passo que o Brasil está preparado para dar. Esta capacidade é ajudada pelas determinações do Conselho Federal de Medicina (CFM) e de conselhos regionais como o de São Paulo, que visam guiar os profissionais da área quanto à maneira correta de divulgação de conteúdo on-line. Essas determinações, segundo ele, acabam criando guias para evitar a distribuição de informações pouco claras ou equívocas.

Com a criação de um selo de qualidade, a Internet pode se configurar como uma fonte confiável de informações sobre doenças e desafios médicos. Para Santana, nesse novo cenário a relação médico-paciente se modifica, uma vez que ambos se encontram mais bem informados. Na visão do profissional, esta nova relação se caracteriza por uma interação, possibilitando uma troca de informações e conhecimentos que, caso baseados em fontes on-line validadas, se provará benéfica para ambas as partes.

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