CURSO CMP2Seguindo uma tendência internacional, os alunos de medicina no Brasil estão optando por especialidades mais rentáveis financeiramente. Dessa forma as especialidades médicas mais procuradas para formação não são Pediatria, Ginecologia e Obstetrícia, Clínica Médica, e Cardiologia, às chamadas áreas básicas da Medicina. A preferência dos estudantes brasileiros tem sido pela chamada ‘medicina intervencionista’, que inclui os procedimentos cirúrgicos como exames complementares.

Atualmente a procura dos estudantes de medicina está focada nas seguintes especialidades: Cirurgia geral, Anestesiologia, Ortopedia e Traumatologia, Oftalmologia, Radiologia e Diagnóstico por Imagem, Psiquiatria, Dermatologia, Otorrinolaringologia, Cirurgia Plástica e Medicina Intensiva.

Segundo estudos dos órgãos classistas dos médicos brasileiros a Pediatria é a especialidade que tem mais profissionais na ativa (30.112 titulados – 11,23% do total de especialistas no país). Por outro lado algumas especialidades médicas têm poucos profissionais ativos. Com observância maior para Radioterapia (apenas 497 profissionais ativos); Cirurgia da Mão, (apenas 411, idem) e Genética Médica (com apenas de 200 idem).

Outro detalhe do estudo que chama a atenção diz respeito à formação de médicos especialistas. Isto porque dos 388.015 médicos ativos no Brasil, apenas 45% têm uma ou mais especialidades. Exatos 180.136 profissionais médicos não têm título de especialista emitido por sociedade de especialidade ou obtido após conclusão de Residência Médica.

Como o Governo não propicia as condições técnicas e operacionais para os médicos brasileiros esta formação profissional está cada vez mais generalista que especialista.

Por estes motivos muitos estudantes de medicina saem das suas faculdades certos que serão empreendedores e não empregados vitalícios de serviços públicos ou privados.

A opção de ser empregado logo após a formação médica ocorre mais por necessidade de que por vocação. (87% dos médicos recém-formados são absorvidos pelo mercado de empregos no Brasil). Apenas 13% abrem as suas próprias empresas médicas, neste ato.

Dessa forma, em 5 anos de formatura (em média ) os médicos brasileiros enveredam pelos seus negócios próprios, ficando, principalmente, o serviço público de saúde carente destes profissionais.

Somente através de um rigoroso sistema de valorização do médico brasileiro será possível manter estes profissionais na ativa e atuando integralmente como prestadores de serviços públicos de saúde.